Você sabe o que há por trás da construção de heróis na história?
No dia 21 de abril comemoramos a vida de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Segundo Schwartz e Starling (2015), Tiradentes não nasceu herói, ele foi um homem comum: militar de baixa patente, dentista nas horas vagas, incomodado com os abusos da Coroa Portuguesa.
Ele não era líder da conjuração Mineira - muito pelo contrário. Sua origem humilde e seu radicalismo o colocavam à margem até mesmo entre os envolvidos, mas foi justamente por isso que ele foi escolhido como bode expiatório. Ao contrário dos companheiros com prestígio e títulos, Tiradentes foi o único a pagar com a vida.
Sua morte foi um espetáculo público. O corpo esquartejado, a cabeça exposta em praça. A intenção era servir de exemplo. Intimidar. Silenciar qualquer ideia de liberdade. Mas a história fez o contrário.
Séculos depois, a figura de Tiradentes foi trazida novamente — não como o homem real, mas como um mito útil para construir a ideia de que bons homens existiam durante o período colonial, e estes, representavam os interesses da república: de barba longa e aparência messiânica, virou símbolo da luta contra a opressão.
Hoje, ao lembrar Tiradentes, precisamos ir além do mito. Reconhecer sua coragem, sim — mas também sua humanidade, suas contradições e o contexto que o transformou em mártir.
Mas para ser herói, precisa ser bom?
Paraibuna passou pelo mesmo processo de forjar heróis. Enquanto Tiradentes se tornou um mito para enaltecer o sentimento republicano, em Paraibuna, os ditos “progressistas” foram justificados e mitificados em torno de outras figuras.
Os antigos escravistas do período cafeeiro atualmente recebem homenagens com nomes de ruas. Como é o caso do Coronel Marcelino de Carvalho, que através do livro “Parahybuna: História e Cidade (1932)”, escrito pelo memorialista João Netto Caldeira, é retratado como um dos grandes responsáveis pelo progresso do município, porém, desconsideram que para o progresso acontecer, foi necessário muitas mãos.
Mãos estas que foram escravizadas por alguém considerado herói e silenciadas pela construção da história local, construída por aqueles que queriam se eternizar, sem se responsabilizar.






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