sexta-feira, 25 de abril de 2025

21 de Abril — Tiradentes: o homem por trás do mito

 Você sabe o que há por trás da construção de heróis na história?


No dia 21 de abril comemoramos a vida de Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes. Segundo Schwartz e Starling (2015), Tiradentes não nasceu herói, ele foi um homem comum: militar de baixa patente, dentista nas horas vagas, incomodado com os abusos da Coroa Portuguesa. 

Ele não era líder da conjuração Mineira - muito pelo contrário. Sua origem humilde e seu radicalismo o colocavam à margem até mesmo entre os envolvidos, mas foi justamente por isso que ele foi escolhido como bode expiatório. Ao contrário dos companheiros com prestígio e títulos, Tiradentes foi o único a pagar com a vida.

Sua morte foi um espetáculo público. O corpo esquartejado, a cabeça exposta em praça. A intenção era servir de exemplo. Intimidar. Silenciar qualquer ideia de liberdade. Mas a história fez o contrário.


Séculos depois, a figura de Tiradentes foi trazida novamente — não como o homem real, mas como um mito útil para construir a ideia de que bons homens existiam durante o período colonial, e estes, representavam os interesses da república: de barba longa e aparência messiânica, virou símbolo da luta contra a opressão.



Hoje, ao lembrar Tiradentes, precisamos ir além do mito. Reconhecer sua coragem, sim — mas também sua humanidade, suas contradições e o contexto que o transformou em mártir.

Mas para ser herói, precisa ser bom?

Paraibuna passou pelo mesmo processo de forjar heróis. Enquanto Tiradentes se tornou um mito para enaltecer o sentimento republicano, em Paraibuna, os ditos “progressistas” foram justificados e mitificados em torno de outras figuras.

 Os antigos escravistas do período cafeeiro atualmente recebem homenagens com nomes de ruas. Como é o caso do Coronel Marcelino de Carvalho, que através do livro “Parahybuna: História e Cidade (1932)”, escrito pelo memorialista João Netto Caldeira, é retratado como um dos grandes responsáveis pelo progresso do município, porém, desconsideram que para o progresso acontecer, foi necessário muitas mãos. 

Mãos estas que foram escravizadas por alguém considerado herói e silenciadas pela construção da história local, construída por aqueles que queriam se eternizar, sem se responsabilizar.  



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quarta-feira, 23 de abril de 2025

Dia 22 de Abril, Descoberta? INVASÃO!

 No dia 22 de Abril, tivemos uma data importante para o Brasil. Mas você sabe o por quê ?

Desde o primeiro contato, os povos indígenas foram rotulados como primitivos, selvagens — não por falta de inteligência ou sensibilidade, mas por não se encaixarem no padrão europeu de civilização. A poligamia, os rituais antropofágicos e outras expressões culturais eram vistos com espanto e desprezo. Para os invasores, esses povos não eram "evoluídos" o suficiente. Julgavam com soberba o que não compreendiam.

Os cronistas enviados para relatar o “Novo Mundo” escreviam a partir da ótica eurocêntrica, filtrando tudo pela régua de sua própria cultura. Assim, os relatos produzidos não buscavam entender, mas classificar, julgar, moldar. Um ritual sagrado, como o ritual antropofágico, foi reduzido à ideia de canibalismo, esvaziando seu sentido espiritual e simbólico. A cultura indígena foi distorcida, silenciada e reescrita para servir aos interesses da metrópole.

E na nossa região? Você conhece sabe o significado do nome da rodovia?

Os Tamoios formavam uma confederação com várias outras etnias tupinambás, que resistiam à colonização portuguesa, partiam para a batalha quando necessário. Um de seus principais líderes foi Cunhambebe, responsável pela maior batalha contra a capitania de São Vicente, atual São Paulo, que durou mais de 10 anos. Atualmente, temos a rodovia dos Tamoios, que corta o município de Paraibuna e é uma das únicas que ao invés de eternizar o nome de colonizadores, retratou o povo guerreiro que passou por nossa região. 

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 Não se descobre o que já era habitado, cultivado e vivido. O que houve foi uma invasão brutal. Os donos da terra foram obrigados a abandonar seus modos de vida. Os que resistiram, foram perseguidos, escravizados ou mortos. Suas culturas foram esmagadas para caber no molde português de exploração: da terra, do corpo, da alma.

Foi um processo de dominação violento, um genocídio cultural e físico. Não foi o início de uma nova era — foi o começo de uma luta ancestral pela sobrevivência e pela memória.

Por isso, temos o dever de pensarmos em 1500 não como o marco inicial da História do Brasil, mas sim como o marco inicial do genocídio, apropriação da terra e exploração. O Brasil é terra INDÍGENA!

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POVOS
INDÍGENAS DEPARAHYBUNA

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Retorno do Serviço Técnico de Formação e Treinamento Paleográfico

Olá Internautas!

No dia 26 de março, tivemos o prazer de retomar o " Serviço Técnico Especializado para Formação e Treinamento Paleográfico ", coordenado pela Dra. Valéria Zanetti e Me. Maria José Acedo , com a participação da equipe do Centro de Memória. 

No primeiro dia, voltamos às atividades, continuando à pesquisa para a transcrição de um documento (arquivo localizado na Biblioteca Nacional, referente a fundação da povoação de Paraibuna Clique aqui ) em que as professoras já estavam trabalhando.


Esse momento foi essencial para aprofundar conhecimentos sobre a paleografia.

No dia 1º de Abril, recebemos uma visita do Pró-Memória de São José dos Campos. 

Durante a atividade, os participantes puderam mergulhar no universo da paleografia e vivenciar na prática a transcrição de documentos históricos, trocando experiências com a equipe do Centro de Memória.

Esses encontros são fundamentais para a preservação e a valorização do nosso patrimônio documental. 




A cada nova atividade, reafirmamos o compromisso de manter viva a memória da nossa cidade.

Fique ligado para mais atualizações e descubra conosco os segredos escondidos nos documentos históricos!

sexta-feira, 28 de março de 2025

Visita

 Olá internautas!

No dia 27 de março, recebemos a visita de representantes da Câmara Municipal de Paraibuna: o presidente Cícero Fabiano, a diretora Priscila Bald e a chefe de gabinete Mônica Machado.


Eles vieram conhecer os resultados do primeiro ano do projeto Serviço Técnico Especializado para Formação e Treinamento Paleográfico, coordenado pela Dra. Valéria Zanetti e pela Me. Maria José Acedo, com apoio da equipe do Centro de Memória e pesquisadores da cidade.

Esse projeto tem como objetivo organizar os documentos históricos do Judiciário que estão sob nossa guarda. Até agora, já conseguimos limpar, digitalizar e transcrever 97 processos, somando quase 3.500 páginas analisadas! E o trabalho continua: em 2025, já começamos a higienização e digitalização de mais 100 processos, totalizando mais de 4.500 páginas que ainda serão transcritas.

Tivemos também uma conversa bem produtiva sobre possíveis parcerias entre as instituições.



Fiquem de olho para mais novidades!

quinta-feira, 13 de março de 2025

Reunião da CMS Arquivo e Patrimônio Histórico

 Olá Internautas!

No dia 11/03 tivemos a reunião mensal da CMS de Arquivo e Patrimônio Histórico, comissão de participação da comunidade na construção coletiva das ações do Centro de Memória Paraibuna. 

 Nessa reunião, finalizamos e aprovamos nosso Plano de Atividades para o ano de 2025, onde foram discutidas as prioridades de cada item apresentados no documento com objetivo de fortalecer a política pública de valorização e salvaguarda do Patrimônio Cultural de Paraibuna.

O nosso Plano inclui tanto a necessidade de uma equipe técnica para atuar no CMP como também as ferramentas de execução de nossas atividades, das pesquisas à Educação Patrimonial para atendimento da nossa comunidade. 

A participação social é central para que o CMP possa atuar de acordo com a realidade local, seguindo as demandas trazidas por nossos membros e parceiros.

Uma das nossas parcerias mais antigas é com o Instituto Chão Caipira, que nessa reunião veio apresentar o projeto de atualização do site com o acervo da instituição, produzido por João Rural por décadas sobre a cultura caipira da região, distribuindo exemplares do material de divulgação HQ “João Rural e o Site Chão Caipira” para divulgar aos visitantes do CMP.



sábado, 8 de março de 2025

Dia da Mulher

 📅 Em 1975, a ONU oficializou o dia 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, uma data para combater desigualdades e discriminação de gênero. Na época, as mulheres lutavam por melhores condições de trabalho e salários iguais aos dos homens.

Hoje, a luta continua: por respeito no trabalho, nas ruas e até em casa, contra a violência e o preconceito. Mulheres buscam ser valorizadas por suas habilidades, reconhecidas em sua integridade e ocupar espaços com igualdade.

💪✨ O 8 de março não é só celebração, é um chamado para reflexão e ação. Ainda há muito a conquistar, mas cada passo importa. Juntas, seguimos construindo um mundo mais justo e igualitário. 💜




Nossas Estagiarias.

Adrielle Morais (Dri), 22 anos, estuda Arquitetura e Urbanismo na Anhanguera e gosta de escrever nas horas vagas. Apaixonada por explorar arquiteturas e culturas em viagens, ela começou na Fundação Cultural aos 5 anos com balé, depois descobriu talentos em música (bateria) e artes plásticas (desenho). Fã de games e cultura geek, adora interpretar personagens. Seu lema é: "Viva o hoje e faça o que ama."


Maria Julia Siqueira Batista (Maju) é uma estudante do Ensino Médio que atua como atriz, dançarina e está começando na música. Ela faz estágio na Fundação Cultural de Paraibuna, onde se interessa pelo Centro de Memórias. Sempre curiosa, Maria Julia busca novas experiências e aprimora suas habilidades artísticas.


Ruty Way, participou de atividades na Fundação Cultural Benedicto Siqueira e Silva desde sempre, está estudando Licenciatura em Artes Visuais. Com experiência em edição de fotos e vídeos, ela já realizou projetos como workshops de ilustração e criação de murais para estúdios. Além disso, dedica-se à produção de obras artísticas e participa de eventos que promovem a cultura.




Nossas colaboradoras 

Dra. Valéria Zanetti - historiadora e pesquisadora responsável pela coordenação do projeto técnico para o acervo documental do CMP desde 2024.

Me. Maria José Acedo - historiadora e pesquisadora do projeto técnico para o acervo documental do CMP desde 2024.

Me. Débora Antunes - coordenadora da CMS de Arquivo e Patrimônio Histórico e vice-presidente do COMPHAC, historiadora e doutoranda que desenvolve pesquisas sobre o impacto social da construção da Represa de Paraibuna e realiza apoio técnico na realização das atividades do CMP.

Larissa Neli Faria - educadora cultural da oficina "Conhecendo Paraibuna" de 2022 a 2024, bióloga e educadora responsável por registrar saberes e coordenar as monitorias educativas para estudantes de Paraibuna, incluindo também a articulação e divulgação do acervo junto ao Instituto Chão Caipira.

Susanne Fauser - vice-coordenadora da CMS, atua no desenvolvimento de ações de turismo social e promoção de frutas nativas a partir do Instituto H&H Fauser.

Carol Mattos - estagiária do CMP de 2022 a 2024, comunicadora que desenvolveu ações de divulgação e valorização da cultura caipira e das marchinhas de carnaval.

Clara Cristine Almeida - estagiária do CMP de 2022 a 2024, historiadora que desenvolveu pesquisas e ações educativas voltadas ao patrimônio cultural imaterial de Paraibuna.

Fica aqui nossa homenagem para as mulheres que fazem e fizeram parte da construção do nosso  CM. 


quinta-feira, 6 de março de 2025

Visita

 Olá, internautas!

No dia 26/02, tivemos a honra de receber a visita do renomado Carlos Augusto Pavanelli e sua esposa Heloísa Pavanelli, pesquisadora sobre a história de Paraibuna.


Carlos Augusto Pavanelli foi diretor do Instituto de Ciência e Tecnologia de São José dos Campos - UNESP de 2011 a 2015. Ele é formado em Odontologia pela UNESP (1976), tem mestrado em Prótese (1996), doutorado em Prótese Parcial Fixa (2002) e especialização em Saúde Coletiva.

Durante a visita, compartilhamos nossas pesquisas e apresentamos as dependências do CMP (Centro de Memória Paraibuna). Dona Heloísa  Pavanelli nos contou um pouco sobre suas pesquisas e curiosidades sobre Paraibuna, sua sociedade e cultura, enquanto o senhor Carlos  Pavanelli, que é um grande apoiador da salvaguarda do acervo, compartilhou suas experiências.


Também apresentamos os resultados do primeiro ano do projeto “Serviço Técnico Especializado para Formação e Treinamento Paleográfico”, coordenado pela Dra. Valéria Zanetti e Me. Maria José Acedo, com a participação da equipe do Centro de Memória Paraibuna e pesquisadores locais.

Essa visita foi muito importante para nós, pesquisadores, e para o CM, abrindo portas para futuras parcerias.